segunda-feira, 3 de outubro de 2011

BIBLIOTECAS- UM POUCO DA HISTÓRIA




Já no início do século XX, a biblioteca passa a ter um caráter de servir ao leitor, mais tarde, também de documentar e, nos anos 60, torna-se mediateca de informação, porém, com público cada vez menor.
Nóbrega (2002), em artigo sobre livros e bibliotecas, relata que a história destes mostra que sempre houve uma preocupação do homem com a preservação de seus conhecimentos, os quais formaram coleções e, conseqüentemente, a necessidade de organizá-los, além de evidenciar a função de liberação da memória. Porém, neste mundo de acervos surge a necessidade de seleção: o que deve ser incorporado e o que deve ser descartado?
A palavra biblioteca, do grego, biblion = livro e théke = caixa, armário, revela o sentido a ela atribuído: um cofre de tesouros. Infelizmente, tais tesouros são inacessíveis a grande parte da humanidade e a biblioteca é considerada um templo, local de ritos e segredos ao lado da ordem, técnica e preservação. Esta visão está impregnada no imaginário social e perdura até nossos dias.
Não se tem notícia da primeira biblioteca, mas, na Antiguidade, já havia a noção destas, as mais conhecidas são as do Egito. Os acervos antigos foram gravados em blocos de pedras pelos escribas, ditados pelos sábios. A seguir, vieram tabletes de barro, tabletes de madeira coberta com cera, tabletes gravados a fogo e, por fim, o rolo feito de couro de animal nos quais os escribas, depois os monges copiavam e escreviam. O fato que permitiu grandemente o desenvolvimento da escrita foi a criação da massa de papiro pelos egípcios pela facilidade e economia do material. Mesmo com a invenção do papel pelos chineses e tendo sido este trazido à Europa por Marco Pólo, os europeus, por não acreditar no material, demoraram cento e cinqüenta anos para atingir a era de Gutenberg.
É importante citar que os suportes de escrita utilizados como, por exemplo, placas de marfim, letras e desenhos gravados a ouro, incrustações com jóias, papiro e, mesmo, o papel, tornavam-nos frágeis demais, necessitando estes de vigilância contínua.
A biblioteca da Alexandria continha 700.000 rolos de papiro e neles trabalhavam filósofos, matemáticos, pesquisadores em geral, vertendo para o grego o conhecimento de várias culturas e, tornando-se um centro de influência na cultura da época. Assim, a biblioteca deixa de ser um simples depósito de livros religiosos e dos inventários dos reis.
No decorrer do tempo e com a multiplicação dos livros, além da transformação da ciência, literatura e artes e, principalmente, com a diminuição do analfabetismo e o surgimento das universidades a biblioteca passa a ser laica, com caráter leigo e civil. Passa a ter o objetivo de ser um centro de divulgação de conhecimentos, incorporando novas práticas como a de empréstimos de livros.
Foi a invenção dos tipos móveis por Gutenberg a responsável por uma grande modificação nos suportes de leitura, que ensejou uma democratização do conhecimento por meio do livro impresso. Porém, desde a invenção da imprensa até o século XIX, o livro era visto como um objeto natural, não existindo questionamentos sobre suas especificidades. Já a partir do século XIX, surgem reflexões sobre o livro e a noção de que ele pode provocar no leitor experiências únicas e, também, complexas. Em relação à biblioteca o interesse era de oferecer oportunidades a diferentes públicos, porém sem resolver a questão de conservação e uso dos estoques, culminando com uma visão de função educadora, embora as reflexões teóricas atuais pensem nela como espaço social de discussão e criação.
Nos anos de 1980 e no início dos anos de 1990 houve, no Brasil, críticas feitas por muitos educadores sobre o tecnicismo presente na educação e também na biblioteconomia. Foi esse debate que revelou o caráter político e social das práticas escolares e das bibliotecas, mostrando o sucateamento das escolas e de suas bibliotecas quando estas existiam, e promovendo propostas de mudança. Assim, disto resultou o entendimento de que o trabalho do bibliotecário é de cunho político, pois não pode ser desvinculado de objetivos sociais e valores humanos, abalando as bases tecnoburocráticas da biblioteconomia, definindo as práticas do bibliotecário como conscientizadoras, transformadoras e criadoras. Dessa forma, os bibliotecários, antes meros executores de decisões tecnoburocráticas, passaram a dar mais ênfase à dimensão educativa de suas práticas como, por exemplo, elaborar programas para o desenvolvimento do gosto pela leitura.
O tecnicismo presente, ainda hoje, em muitas bibliotecas, deriva-se da tecnoburocracia, um prolongamento do estado autoritário que impõe certos valores e crenças como a valorização do método de trabalho em detrimento das condições e finalidades do trabalho, enfatizando o planejamento e o controle e a fiscalização por meio de normas rígidas e procedimento padronizado. O que se espera de um bibliotecário atualmente é que ele conheça o conteúdo dos livros que têm como também ser um guia intelectual do leitor. O bibliotecário será, então, um bom leitor, possuirá um repertório amplo de leituras, uma das condições necessárias para fazer a mediação entre escritores e leitores. A biblioteca é responsável pela democratização de seus espaços e popularização de seus acervos.
O surgimento de novas tecnologias de informação e de suportes de leitura modificaram as formas tradicionais de leitura e escrita, colocando em pauta toda a relação da escrita com o espaço social que é praticada até nossos dias, demandando um reconhecimento destes novos objetos, as modificações ocorridas como conseqüência de seu estabelecimento e, também, as relações da escola com tais objetos.
Conforme Silva (2003):

Numa democracia com justiça social, espera-se que todos indivíduos sejam devidamente preparados para a compreensão e o manejo de todas as linguagens que servem para dinamizar ou fazer circular a cultura.O problema é que num país tão desigual como o Brasil, aqueles oceanos informacionais da Internet vão sofrendo restrições cada vez maiores em termos de presença e de utilização concreta na vida das pessoas. (Silva, 2003, p.14)

O autor preconiza discussões sobre as leituras disponíveis na Internet voltadas para um projeto de cidadania, isto é, a formação de sujeitos sociais que tenham condições de satisfazer suas necessidades de informação, participando dos destinos da sociedade.
A circulação e produção virtuais desafiam os educadores das novas gerações, pois embora os textos desse suporte sejam escritos, o são numa tela de computador, adquirindo assim configurações únicas e várias ações de interatividade diferentes do texto impresso. Dessa forma, os textos virtuais são lidos na forma horizontal e o leitor precisa ser seletivo frente às muitas opções da Internet, caso contrário pode se perder nos labirintos da informação. A introdução da escrita virtual na sociedade tem ocorrido de forma tão veloz que a maioria dos professores ficou surpresa com o potencial traduzido pelo uso do computador e as reações tem sido ou de recusa no uso dessa tecnologia, ou de confusão frente às inúmeras possibilidades de utilização da máquina.

Silva (2003) comenta:

... ainda que os suportes impressos e digitais dos textos sofram alterações profundas em termos de configuração, nenhum deles chegará a desaparecer, mesmo porque cada qual dinamiza práticas culturais específicas surgidas de necessidades diferenciadas nas sociedades do mundo contemporâneo. (Silva, 2003, p.15)


Há, portanto, necessidade de se estudar as especificidades da leitura e da escrita virtuais assim como a velocidade na circulação dos textos ao redor do mundo, superando até barreiras lingüísticas e, além disso, o analfabetismo digital, plágios de textos, entre outros. Como a Internet surgiu com possibilidade de subversão dos aparatos do poder, a comunicação é horizontal, livre e democrática.Silva (2003) conclui:

... talvez resida nisso a possibilidade maior de instauração de um certo tipo de cultura entre os homens que, pelas práticas de leitura – aqui tomada como uma atividade estruturante do pensamento – poderão , de agora em diante, viver mais intensamente a criatividade e a liberdade. ( Silva, 2003, p. 16)


Segundo artigo da revista Veja (2006), foi lançado um produto que objetiva atrair crianças e jovens para a leitura: uma espécie de iPOD dos livros. O aparelho chamado de Reader pode armazenar em sua memória centenas de livros, apresentando-os numa tela página por página. Um aspecto importante do aparelho é o de que pode ampliar partes do texto em até 200%. As ferramentas do mundo da informática, segundo o mesmo artigo, têm tornado os jovens mais inteligentes, pois proporcionam um outro tipo de aprendizado: selecionar e processar informações e exercitar a lógica.  Também os blogs da internet estimulam a escrita, e no mesmo artigo há relato de crianças que aprenderam a ler para entender os jogos eletrônicos.

JOYCE SANCHOTENE