domingo, 31 de janeiro de 2010

WILSON MARTINS

Escritor e crítico Wilson Martins morre aos 88 anos

CLAUDIO FEUSTEL E CHIARA QUINTÃO - Agencia Estado

SÃO PAULO - O escritor e crítico literário Wilson Martins morreu ontem à noite, aos 88 anos, no Hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba. Ele estava internado desde o dia 20 de janeiro e na última terça-feira passou por uma cirurgia para retirada da bexiga e da próstata por causa de um câncer.



De acordo com o médico Marcelo Bendhack, devido à idade avançada, Martins teve dificuldades cardiovasculares no pós-operatório e acabou não resistindo. Em novembro do ano passado, o escritor já havia sido submetido a uma operação devido ao tumor na bexiga. O corpo de Wilson Martins foi velado hoje na capela do Cemitério Luterano, em Curitiba, e será cremado.



Radicado em Curitiba nas últimas décadas, Martins nasceu em São Paulo em 3 de março de 1921. Foi juiz de direito, professor de língua e literatura francesa na Universidade Federal do Paraná, professor de literatura brasileira nos Estados Unidos, e crítico literário. No período em que viveu nos Estados Unidos, lecionou nas universidades do Kansas, de Wisconsin e de Nova York. Passava três meses por ano no Brasil, período em que conciliava férias e pesquisas. Entre suas obras, estão "História da Inteligência Brasileira", "A Crítica Literária no Brasil", "Um Brasil Diferente" e "A Palavra Escrita".



Com suas obras, Martins ganhou alguns dos principais prêmios literários nacionais, com o Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro e o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras.



No jornal "O Estado de S. Paulo", estreou como crítico literário em 18 de janeiro de 1945, com o texto "Uma obra notável do professor Artur Ramos". Exerceu o cargo na publicação até 1974. Foi colaborador de outros periódicos, como o "Jornal do Brasil". A percepção sobre a obra de Martins não era unânime. Houve quem o considerasse o maior de todos os críticos, quem avaliasse que ele não compactuou com ideologias e autores e quem o considerasse reacionário.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Só um lembrete do Quintana...




Só um lembrete do Quintana...



..'A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê, já passaram-se 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado.
Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas.
Desta forma, eu digo:

Não deixe de fazer algo que gosta, devido à falta de tempo,
pois a única falta que terá,
será desse tempo que infelizmente não voltará mais.'
Mário Quintana

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Conto


Amor tardio
Amor perdido

Carlos Eduardo Esmerion


Numa terra distante vivia uma princesa encerrada em sua torre que assomava ao centro de uma grande floresta. Diziam que ela era uma feiticeira poderosa e que havia abandonado sua família para viver só com seus pássaros e seus lobos na floresta. Os animais a amavam, pois ela cuidava de todos eles e até as árvores lhe prestavam reverencia por que ela as protegia dos lenhadores, expulsando-os com feitiços assustadores. E por tantos anos usou seus poderes para isso que a floresta se tornou livre dos homens, pois ninguém ousava nela penetrar com medo da princesa e muitas a chamavam de bruxa.

Numa tarde um jovem pastor adentrou na floresta para buscar uma de suas ovelhas que havia se desgarrado do rebanho e logo a que ele mais prezava. A despeito de todas as coisas que já tinha ouvido sobre o lugar não temeu e seguiu em frente disposto a sair de lá só quando encontrasse a ovelha desgarrada. Ele foi longe e nada, de repente se viu rodeado por árvores altas cujas copas elevadas impediam que os raios de sol chegassem ao chão. Ficou desesperado, não conseguia achar direção e as mesmas árvores pareciam se fechar cada vez mais a sua volta. Mas de súbito ouviu uma doce voz entoando uma canção tão bela que lhe arrancou lágrimas dos olhos. Ele seguiu a voz e depois de um tempo se viu diante da torre e lá em cima vislumbrou a mais bela mulher que se podia imaginar: seus olhos brilhavam mais do que as estrelas e sua pele reluzia como o marfim precioso: Era a princesa que cantava e olhava para ele com olhos penetrantes.

- Ali esta a sua ovelha jovem pastor, pegue-a. Dei ordem para meus lobos não a machucarem e também para nada fazerem com você, pois é homem de bom coração como poucos que andam neste mundo. Pode partir se quiser, vá em paz e siga com Deus, mas se quiser também pode ficar um pouco e descansar. Não tema a chegada da noite, quando quiser um de meus pássaros te guiara para os limites da minha floresta para não se perder. - disse ela com uma voz tão meiga e delicada que convenceria até mesmo uma pedra.

- Como recusar tão bela companhia? Obrigado minha senhora, certamente ficarei. Olhando para sua beleza extrema vejo o quão mentirosos são os homens que deturpam tão alta princesa com histórias de bruxaria e coisas semelhantes. - Disse o pastor.

- Sim, sei bem o que falam de mim, meus pássaros me contam tudo. Mas não ligo, sou o que sou e tudo que faço é para defender minha floresta da ganância dos outros e da maldade das pessoas. Se todos que entrassem em meus domínios tivessem seu coração não precisaria mover um dedo para defender o que é meu. Mas, meu trabalho é duro, a anos o faço sozinha e vivo aqui isolada sem companhia pois todos me temem e ninguém me ama, salvo meus animais.

Depois dessas palavras o pastor ficou comovido e desde então ia todos os dias passar a tarde com a princesa, mas nunca entrava na sua torre apenas ficavam conversando de longe. Ela debruçada do alto da única janela que existia na construção e ele sentado numa pedra abaixo, por anos eles se encontraram todos dias e ficavam juntos até o anoitecer quando então uma coruja guiava o pastor para fora, pois todo dia os caminhos mudavam sob as árvores. Durante esse mesmo tempo o pastor foi tomado de amor pela princesa que o correspondia também e igualmente dizia que o amava e lhe prometia que ficariam juntos. Ela lhe fazia canções e jogava lenços com seu perfume. Todo encontro ela lhe enchia de esperanças e com sua magia o fazia ter sonhos onde os dois estavam juntos e se amavam em lugares belíssimos. Os anos passavam e nada de suas promessas se concretizarem, nem mesmo na torre ele podia entrar.

- Por que não posso subir até você minha amada? Se não tem escadas eu trago uma corda e escalo as paredes, deixe-me ir te abraçar e te beijar. Já faz tantos anos que nos encontramos e nunca lhe toquei, nunca lhe abracei. Meu coração dói por isso, deixe-me ir até você! - Implorava ele diariamente.

- Não! Ainda não é hora meu amado, essa torre é encantada e nenhum homem pode subir até mim enquanto perdurar esse feitiço que eu mesma coloquei para me proteger, mas todos os dias trabalho para desfazê-lo e o farei em breve, fique tranqüilo. Contudo, enquanto não o desfaço você não pode subir, se o fizer certamente morrerá.

Mas as palavras da princesa eram mentirosas por que não havia nenhum feitiço e bem prezo a sua cintura estava a chave que abria uma passagem que conduzia ao alto da torre, mas ela não lhe dava. Ao invés disso alimentava o pastor com mais e mais esperanças e os anos passavam e as coisas continuavam como sempre: ele na pedra, ela no alto da torre e os dois, mesmo depois de dez anos jamais haviam se tocado.

O coração do pastor estava já despedaçado por tudo aquilo, porém a despeito da sua imensa vontade de estar com a princesa ele a respeitava e jamais tentou ir contra a sua palavra. Porém, o desespero o atormentava, ele não mais vivia em paz com aquele amor que não se realizava, o que mais lhe machucava o peito era ter sua amada tão perto e não poder tocá-la. A princesa, mesmo diante de todo sofrimento do pobre pastor não amolecia seu coração e mantinha firme em não permitir que o pobre homem apaixonado subisse em sua torre. Ela o seduzia, enchia seu coração de esperança, mas no seu íntimo ainda não tinha vontade de realizar nenhuma delas. Por que fazia isso? Somente Deus o sabe...

Ocorreu que numa tarde o camponês não veio ao seu encontro. Era a primeira vez depois de dez anos que isso acontecia. Ela o aguardou e ele não veio. - Certamente amanhã virá, algo deve ter impedido de o fazer hoje - pensou. E veio o dia seguinte e ele também não apareceu. O terceiro e o quarto dia e nenhuma notícia. A princesa já estava apreensiva e desesperada, agora com a ausência do jovem ela teve a certeza que precisava dele, com a sua ausência ela percebeu que o amava. - Meu Deus eu o amo, sim eu o amo! Quando ele vier eu abrirei a minha porta e permitirei que entre e me abrace e me beije, pois só agora vejo que preciso disso. Eu o amo! - Disse ela cheia de alegria no coração.

No entanto os dias se seguiram e ele não veio. Depois de algum tempo um de seus pássaros trouxe a notícia de que o camponês havia sido morto pelos aldeões, pois estes acreditavam que ele havia feito pacto com ela e lhes passaram a atribuir a causa dos infortúnios que aconteciam na vila. - Eles o mataram minha senhora, por que o pobre a amava e todos diziam que era seu lacaio e que as coisas más eram obras sua e dele. Ele não virá nunca mais, nunca mais.

Ao ouvir aquilo a princesa caiu em prantos e tão grande foi a sua dor que não pode suportar. Tão grande foi seu arrependimento que seu coração deixou de bater. A torre ruiu e toda floresta morreu em seguida: as árvores secaram, os animais partiram e nenhuma planta, ou erva, ou mesmo capim, cresceu naquele lugar. Tudo se tornou árido como um deserto. À noite, os mercadores que agora cruzavam as areias sem vida daquele lugar diziam ainda poder ouvir os lamentos da princesa e seu choro: Ela não parava de repetir “ele não virá mais, nunca mais e eu o amava...”


domingo, 17 de janeiro de 2010

Nietzsche

Crítico da cultura ocidental e suas religiões e, conseqüentemente, da moral judaico-cristã. Associado equivocadamente, ainda hoje, por alguns ao niilismo e ao nazismo - uma visão que grandes leitores e estudiosos de Nietzsche, como Foucault, Deleuze ou Klossowski procuraram desfazer - Nietzsche é, juntamente com Marx e Freud, um dos autores mais controversos na história da filosofia moderna, isto porque, primariamente, há certa complexidade na forma de apresentação das figuras e/ou categorias ao leitor ou estudioso, causando confusões devido principalmente aos paradoxos e descontruções dos conceitos de realidade ou verdade como nós ainda hoje os entendemos.
Nietzsche, sem dúvida considera o Cristianismo e o Budismo como "as duas religiões da decadência",embora ele afirme haver uma grande diferença nessas duas concepções. O budismo para Nietzsche "é cem vezes mais realista que o cristianismo" (O anticristo). Religiões que aspiram ao Nada, cujos valores dissolveram a mesquinhez histórica. Não obstante, também se auto-intitula ateu:
"Para mim o ateísmo não é nem uma conseqüência, nem mesmo um fato novo: existe comigo por instinto" (Ecce Homo, pt.II, af.1)
A crítica que Nietzsche faz do idealismo metafísico focaliza as categorias do idealismo e os valores morais que o condicionam, propondo uma nova abordagem: a genealogia dos valores.
Friederich Nietzsche quis ser o grande "desmascarador" de todos os preconceitos e ilusões do gênero humano, aquele que ousa olhar, sem temor, aquilo que se esconde por trás de valores universalmente aceitos, por trás das grandes e pequenas verdades melhor assentadas, por trás dos ideais que serviram de base para a civilização e nortearam o rumo dos acontecimentos históricos. E assim a moral tradicional, e principalmente esboçada por Kant, a religião e a política não são para ele nada mais que máscaras que escondem uma realidade inquietante e ameaçadora, cuja visão é difícil de suportar. A moral, seja ela kantiana ou hegeliana, e até a catharsis aristotélica são caminhos mais fáceis de serem trilhados para se subtrair à plena visão autêntica da vida.
Nietzsche golpeou violentamente essa moral que impele à revolta dos indivíduos inferiores, das classes subalternas e escravas contra a classe superior e aristocrática que, por um lado, pelo influxo dessa mesma moral, sofre de má consciência e cria a ilusão de que mandar é por si mesmo uma forma de obediência. Essa traição ao "mundo da vida" é a moral que reduz a uma ilusão a realidade humana e tende asceticamente a uma fictícia racionalidade pura.
Com efeito, Nietzsche procurou arrancar e rasgar as mais idolatradas máscaras. Mas a questão é: que máscaras são essas? Responde, então, que as máscaras se tornam inevitáveis pela própria vida, que é explosão de forças desordenadas e violentas, e por isso, é sempre incerteza e perigo.
A vida só se pode conservar e manter-se através de imbricações incessantes entre os seres vivos, através da luta entre vencidos que gostariam de sair vencedores e vencedores que podem a cada instante ser vencidos e por vezes já se consideram como tais. Neste sentido a vida é vontade de poder ou de domínio ou de potência. Vontade essa que não conhece pausas, e por isso está sempre criando novas máscaras para se esconder do apelo constante e sempre renovado da vida; pois, para Nietzsche, a vida é tudo e tudo se esvai diante da vida humana. Porém as máscaras, segundo ele, tornam a vida mais suportável, ao mesmo tempo em que a deformam, mortificando-a à base de cicuta e, finalmente, ameaçam destruí-la.
Não existe via média, segundo Nietzsche, entre aceitação da vida e renúncia. Para salvá-la, é mister arrancar-lhe as máscaras e reconhecê-la tal como é: não para sofrê-la ou aceitá-la com resignação, mas para restituir-lhe o seu ritmo exaltante, o seu merismático júbilo.
O homem é um filho do "húmus" e é, portanto, corpo e vontade não somente de sobreviver, mas de vencer. Suas verdadeiras "virtudes" são: o orgulho, a alegria, a saúde, o amor sexual, a inimizade, a veneração, os bons hábitos, a vontade inabalável, a disciplina da intelectualidade superior, a vontade de poder. Mas essas virtudes são privilégios de poucos, e é para esses poucos que a vida é feita. De fato, Nietzsche é contrário a qualquer tipo de igualitarismo e principalmente ao disfarçado legalismo kantiano, que atenta o bom senso através de uma lei inflexível, ou seja, o imperativo categórico: "Proceda em todas as suas ações de modo que a norma de seu proceder possa tornar-se uma lei universal".
Essas críticas se deveram à hostilidade de Nietzsche em face do racionalismo que logo refutou como pura irracionalidade. Para ele, Kant nada mais é do que um fanático da moral, uma tarântula catastrófica.


Friedrich Nietzsche em 1861.
Para Nietzsche o homem é individualidade irredutível, à qual os limites e imposições de uma razão que tolhe a vida permanecem estranhos a ela mesma, à semelhança de máscaras de que pode e deve libertar-se. Em Nietzsche, diferentemente de Kant, o mundo não tem ordem, estrutura, forma e inteligência. Nele as coisas "dançam nos pés do acaso" e somente a arte pode transfigurar a desordem do mundo em beleza e fazer aceitável tudo aquilo que há de problemático e terrível na vida.
Mesmo assim, apesar de todas as diferenças e oposições, deve-se reconhecer uma matriz comum entre Kant e Nietzsche, como que um substrato tácito mas atuante. Essa matriz comum é a alma do romantismo do século XIX com sua ânsia de infinito, com sua revolta contra os limites e condicionamentos do homem. À semelhança de Platão, Nietzsche queria que o governo da humanidade fosse confiado aos filósofos, mas não a filósofos como Platão ou Kant, que ele considerava simples "operários da filosofia".
Na obra nietzscheana, a proclamação de uma nova moral contrapõe-se radicalmente ao anúncio utópico de uma nova humanidade, livre pelo imperativo categórico, como esperançosamente acreditava Kant. Para Nietzsche a liberdade não é mais que a aceitação consciente de um destino necessitante. O homem libertado de qualquer vínculo, senhor de si mesmo e dos outros, o homem desprezador de qualquer verdade estabelecida ou por estabelecer e apto a se exprimir a vida, em todos os seus atos - era este não apenas o ideal apontado por Nietzsche para o futuro, mas a realidade que ele mesmo tentava personificar.
Aqui, necessário se faz perceber que, involuntariamente, Nietzsche cria e cai em seu próprio Imperativo Categórico, por certo, imperativo este baseado na completa liberdade do ser e ausência de normas.
Para Kant a razão que se movimenta no seu âmbito, nos seus limites, faz o homem compreender-se a si mesmo e o dispõe para a libertação. Mas, segundo Nietzsche, trata-se de uma libertação escravizada pela razão, que só faz apertar-lhe os grilhões, enclaustrando a vida humana digna e livre.
Em Nietzsche encontra-se uma filosofia antiteorética à procura de um novo filosofar de caráter libertário, superando as formas limitadoras da tradição que só galgou uma "liberdade humana" baseada no ressentimento e na culpa. Portanto toda a teleologia de Kant de nada serve a Nietzsche: a idéia do sujeito racional, condicionado e limitado é rejeitada violentamente em favor de uma visão filosófica muito mais complexa do homem e da moral.
Nietzsche acreditava que a base racional da moral era uma ilusão e por isso, descartou a noção de homem racional, impregnada pela utópica promessa - mais uma máscara que a razão não-autêntica impôs à vida humana. O mundo para Nietzsche não é ordem e racionalidade, mas desordem e irracionalidade. Seu princípio filosófico não era portanto Deus e razão, mas a vida que atua sem objetivo definido, ao acaso, e por isso se está dissolvendo e transformando-se em um constante devir. A única e verdadeira realidade sem máscaras, para Nietzsche, é a vida humana tomada e corroborada pela vivência do instante.
Nietzsche era um crítico das "idéias modernas", da vida e da cultura moderna, do neo-nacionalismo alemão. Para ele os ideais modernos como democracia, socialismo, igualitarismo, emancipação feminina não eram senão expressões da decadência do "tipo homem". Por estas razões, é por vezes apontado como um precursor da pós-modernidade.


Nietzsche fotografado por Hans Olde no verão de 1899.
A figura de Nietzsche foi particularmente promovida na Alemanha Nazi, tendo sua irmã, simpatizante do regime hitleriano, fomentado esta associação. Em A minha luta, Hitler descreve-se como a encarnação do super-homem (Übermensch). A propaganda nazi colocava os soldados alemães na posição desse super-homem e, segundo Peter Scholl-Latour, o livro "Assim Falou Zaratustra" era dado a ler aos soldados na frente de batalha, para motivar o exército. Isto também já acontecera na Primeira Guerra Mundial. Como dizia Heidegger, ele próprio nietzscheano, "na Alemanha se era contra ou a favor de Nietzsche".
Todavia, Nietzsche era explicitamente contra o movimento anti-semita, posteriormente promovido por Adolf Hitler e seus partidários. A este respeito pode-se ler a posição do filósofo:
Antes direi no ouvido dos psicólogos, supondo que desejem algum dia estudar de perto o ressentimento: hoje esta planta floresce do modo mais esplêndido entre os anarquistas e anti-semitas, aliás onde sempre floresceu, na sombra, como a violeta, embora com outro cheiro.[3]
… tampouco me agradam esses novos especuladores em idealismo, os anti-semitas, que hoje reviram os olhos de modo cristão-ariano-homem-de-bem, e, através do abuso exasperante do mais barato meio de agitação, a afetação moral, buscam incitar o gado de chifres que há no povo… [3]
Sem dúvida, a obra de Nietzsche sobreviveu muito além da apropriação feita pelo regime nazista. Ainda hoje é um dos filósofos mais estudados e fecundos. Por vários momentos, inclusive, Nietzsche tentou juntar seus amigos e pensadores para que um fosse professor do outro, uma espécie de confraria. Contudo, esta idéia fracassou, e Nietzsche continuou sozinho seus estudos e desenvolvimento de idéias, ajudado apenas por poucos amigos que liam em voz alta seus textos que, nos momentos de crise profunda, ele não conseguia ler.


Texto extraído da WIKIPEDIA

sábado, 16 de janeiro de 2010

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

A moça tecelã


A Moça Tecelã
Por Marina Colasanti

Acordava ainda no escuro, como se ouvisse o sol chegando atrás das beiradas da noite. E logo sentava-se ao tear.

Linha clara, para começar o dia. Delicado traço cor da luz, que ela ia passando entre os fios estendidos, enquanto lá fora a claridade da manhã desenhava o horizonte.

Depois lãs mais vivas, quentes lãs iam tecendo hora a hora, em longo tapete que nunca acabava.

Se era forte demais o sol, e no jardim pendiam as pétalas, a moça colocava na lançadeira grossos fios cinzentos  do algodão  mais felpudo. Em breve, na penumbra trazida pelas nuvens, escolhia um fio de prata, que em pontos longos rebordava sobre o tecido. Leve, a chuva vinha cumprimentá-la à janela.

Mas se durante muitos dias o vento e o frio brigavam com as folhas e espantavam os pássaros, bastava a moça tecer com seus belos fios dourados, para que o sol voltasse a acalmar a natureza.

Assim, jogando a lançadeira de um lado para outro e batendo os grandes pentes do tear para frente e para trás, a moça passava os seus dias.

Nada lhe faltava. Na hora da fome tecia um lindo peixe, com cuidado de escamas. E eis que o peixe estava na mesa, pronto para ser comido. Se sede vinha, suave era a lã cor de leite que entremeava o tapete. E à noite, depois de lançar seu fio de escuridão, dormia tranqüila.

Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.

Mas tecendo e tecendo, ela própria trouxe o tempo em que se sentiu sozinha, e pela primeira vez pensou em como seria bom ter um marido ao lado.

Não esperou o dia seguinte. Com capricho de quem tenta uma coisa nunca conhecida, começou a entremear no tapete as lãs e as cores que lhe dariam companhia. E aos poucos seu desejo foi aparecendo, chapéu emplumado, rosto barbado, corpo aprumado, sapato engraxado. Estava justamente acabando de entremear o último fio da ponto dos sapatos, quando bateram à porta.

Nem precisou abrir. O moço meteu a mão na maçaneta, tirou o chapéu de pluma, e foi entrando em sua vida.

Aquela noite, deitada no ombro dele, a moça pensou nos lindos filhos que teceria para aumentar ainda mais a sua felicidade.

E feliz foi, durante algum tempo. Mas se o homem tinha pensado em filhos, logo os esqueceu. Porque tinha descoberto o poder do tear, em nada mais pensou a não ser nas coisas todas que ele poderia lhe dar.

— Uma casa melhor é necessária — disse para a mulher. E parecia justo, agora que eram dois. Exigiu que escolhesse as mais belas lãs cor de tijolo, fios verdes para os batentes, e pressa para a casa acontecer.

Mas pronta a casa, já não lhe pareceu suficiente.

— Para que ter casa, se podemos ter palácio? — perguntou. Sem querer resposta imediatamente ordenou que fosse de pedra com arremates em prata.




Dias e dias, semanas e meses trabalhou a moça tecendo tetos e portas, e pátios e escadas, e salas e poços. A neve caía lá fora, e ela não tinha tempo para chamar o sol. A noite chegava, e ela não tinha tempo para arrematar o dia. Tecia e entristecia, enquanto sem parar batiam os pentes acompanhando o ritmo da lançadeira.

Afinal o palácio ficou pronto. E entre tantos cômodos, o marido escolheu para ela e seu tear o mais alto quarto da mais alta torre.

— É para que ninguém saiba do tapete — ele disse. E antes de trancar a porta à chave, advertiu: — Faltam as estrebarias. E não se esqueça dos cavalos!

Sem descanso tecia a mulher os caprichos do marido, enchendo o palácio de luxos, os cofres de moedas, as salas de criados. Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.

E tecendo, ela própria trouxe o tempo em que sua tristeza lhe pareceu maior que o palácio com todos os seus tesouros. E pela primeira vez pensou em como seria bom estar sozinha de novo.

Só esperou anoitecer. Levantou-se enquanto o marido dormia sonhando com novas exigências. E descalça, para não fazer barulho, subiu a longa escada da torre, sentou-se ao tear.

Desta vez não precisou escolher linha nenhuma. Segurou a lançadeira ao contrário, e jogando-a veloz de um lado para o outro, começou a desfazer seu tecido. Desteceu os cavalos, as carruagens, as estrebarias, os jardins.  Depois desteceu os criados e o palácio e todas as maravilhas que continha. E novamente se viu na sua casa pequena e sorriu para o jardim além da janela.
A noite acabava quando o marido estranhando a cama dura, acordou, e, espantado, olhou em volta.  Não teve tempo de se levantar. Ela já desfazia o desenho escuro dos sapatos, e ele viu seus pés desaparecendo, sumindo as pernas. Rápido, o nada subiu-lhe pelo corpo, tomou o peito aprumado, o emplumado chapéu.
Então, como se ouvisse a chegada do sol, a moça escolheu uma linha clara. E foi passando-a devagar entre os fios, delicado traço de luz, que a manhã repetiu na linha do horizonte.

Marina Colasanti
(1938) nasceu em Asmara, Etiópia, morou 11 anos na Itália e desde então vive no Brasil. Publicou vários livros de contos, crônicas, poemas e histórias infantis. Recebeu o Prêmio Jabuti com Eu sei, mas não devia e também por Rota de Colisão. Dentre outros escreveu E por falar em amor, Contos de amor rasgados, Aqui entre nós, Intimidade pública, Eu sozinha, Zooilógico, A morada do ser, A nova mulher (que vendeu mais de 100.000 exemplares), Mulher daqui pra frente, O leopardo é um animal delicado, Esse amor de todos nós, Gargantas abertas e os escritos para crianças Uma idéia toda azul e Doze reis e a moça do labirinto de vento. Colabora, também, em revistas femininas e constantemente é convidada para cursos e palestras em todo o Brasil. É casada com o escritor e poeta Affonso Romano de Sant'Anna.

Texto extraído do livro “Doze Reis e a Moça no Labirinto do Vento”, Global Editora , Rio de Janeiro, 2000, uma colaboração da amiga Janaina Pietroluongo, da longínqua Oxford.


Ilustração: Ana Peluso
Ana Peluso, paulistana, 37 anos no dia cinco de março de 2003, casada, um filho, formada em Comunicação e Programação Visual, escreve desde os 18 anos. Abandonou a faculdade de letras pelo desenho e as artes visuais. Aprendeu a desenhar e voltou a escrever. Atua na rede como webdesigner, ilustradora e colunista e colaboradora em vários sítios há mais de 4 anos. Dedica-se em tempo parcial ao desenvolvimento e conteúdo da Officina do Pensamento, destinado à divulgação de arte e literatura e escreve por pura vocação, enquanto prepara seu primeiro livro de contos. O resto do tempo usa para pintar, escrever, curtir a família, além do teatro, música e cinema, outras de suas paixões.

Possui participação em três Antologias: “As Crônicas dos Anjos de Prata, Vol II”.- 2001, “Os Anjos de Prata - Antologia de Crônicas e Contos, Vol III” – 2002, e “Antologia Poetrix” – 2002.



segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

ONDE ESTÁ O LOBO?



PERRAULT COLETOU CONTOS MARAVILHOSOS DA TRADIÇÃO ORAL E ESCREVEU UM LIVRO, PORÉM AS HISTÓRIAS ERAM PARA DIVERTIR O REI LUIS XIV.
REPARE BEM: ONDE ESTÁ O LOBO?
ILUSTRAÇÃO DE DORÉ PARA LIVRO DE PERRAULT

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Reggae é da PAZ

Bob Marley

Origem: Wikipédia

Bob Marley
Marley Grona Lund 1978.jpg
Bob Marley apresentando-se em Estocolmo, Suécia, em 1978.
Informação geral
Nome completo
Robert Nesta Marley
Data de nascimento
6 de fevereiro de 1945
Origem
Nine Mile, Saint Ann
País
Flag of Jamaica.svg Jamaica
Data de morte
11 de maio de 1981 (36 anos)
Miami, Estados Unidos
Gêneros
Reggae, ska, rocksteady
Instrumentos
Guitarra, Violão, Percussão
Período em atividade
1962 - 1981
Gravadoras
Studio One, Beverley's, Upsetter/Trojan, Island/Tuff Gong
Afiliações
Membro do Wailers,
líder da Wailers Band,
associado com os Upsetters,
associado com as I Threes
Página oficial
Site Oficial (em inglês)
Robert Nesta Marley, mais conhecido como Bob Marley (Saint Ann, 6 de fevereiro de 1945Miami, 11 de maio de 1981) foi um cantor, guitarrista e compositor jamaicano, o mais conhecido músico de reggae de todos os tempos, famoso por popularizar o gênero. Grande parte do seu trabalho lidava com os problemas dos pobres e oprimidos. Ele foi chamado de "Charles Wesley dos rastafáris" pela maneira com que divulgava a religião através de suas músicas.
Bob foi casado com Rita Marley, uma das I Threes, que passaram a cantar com os Wailers depois que eles alcançaram sucesso internacional. Ela foi mãe de quatro de seus doze filhos (dois deles adotados), os renomados Ziggy e Stephen Marley, que continuam o legado musical de seu pai na banda Melody Makers. Outro de seus filhos, Damian Marley (vulgo Jr. Gong) também seguiu carreira musical.

Bob Marley era adepto da religião rastafári. Ele foi influenciado por sua esposa Rita, e passou a receber os ensinamentos de Mortimer Planno. Ele servia de fato como um missionário rasta (suas ações e músicas demonstram que isso talvez fosse intencional), fazendo com que a religião fosse conhecida internacionalmente. Em suas canções Marley pregava irmandade e paz para toda a humanidade. Antes de morrer ele foi inclusive batizado na Igreja Ortodoxa da Etiópia com o nome Berhane Selassie.
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Não viva para que a sua presença seja notada, mas para que a sua falta seja sentida.
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Bob Marley

Marley era um grande defensor da maconha, usada por ele no sentido da comunhão, apesar de que seu uso não é consenso entre os rastafáris. Na capa de Catch a Fire inclusive ele é visto fumando um cigarro de maconha, e o uso espiritual da cannabis é mencionado em muitas de suas músicas.
Marley também tinha conexões com a seita rastafári "Doze Tribos de Israel", e expressou isso com uma frase bíblica sobre José, filho de Jacó, na capa do álbum Rastaman Vibration.


 OUTROS DO REGGAE



Banda Brasileira