quinta-feira, 30 de abril de 2009

Autor brasileiro/ Referência em cultura africana

Joel Rufino dos Santos, autor brasileiro. É um dos nomes de referência sobre cultura africana no país.

Nascido no bairro de Cascadura, cresceu apreciando a leitura de histórias em quadrinhos.

Já adulto, foi exilado por suas idéias políticas contrárias à ditadura militar então em vigor no país. Morou algum tempo na Bolívia, sendo detido quando de seu retorno ao Brasil (1973).

Doutor em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde lecionou Literatura, como escritor tem extensa obra publicada: livros infantis, didáticos, paradidáticos e outros. Trabalhou como colaborador nas minisséries Abolição, de Walter Avancini, transmitida pela TV Globo (22 a 25 de novembro de 1988) e República (de 14 a 17 de novembro de 1989).

Obras publicadas















* A botija de ouro (Ática)
* A Pirilampéia e os dois meninos de Tatipurum (Ática)
* Afinal, quem fez a República? (FTD)
* A questão do negro na sala de aula (Ática)
* Assim foi (se me parece)
* Aventuras no país do pinta-aparece (FTD)
* O Balão mais bonito do mundo (Cultrix)
* Constituições de ontem e hoje (Ática)
* Crônica de indomáveis delírios (Rocco)
* Cururu virou pajé (Ática)
* Dudu Calunga (Ática)
* Gosto de África, histórias de lá e daqui (Global)
* História: Brasil Colônia (5ª série) (FTD)
* História: Brasil, Império e República (6ª série) (FTD)
* História: Moderna e Contemporânea (7ª série) (FTD)
* História Geral, Antiga e Medieval (FTD)
* História de Trancoso (Ática)
* Mania de trocar (Moderna)
* O Burro falante (Moderna)
* O Caçador de lobisomem (Salamandra)
* O Curumim que virou gigante (Ática)
* O Dia em que o povo ganhou (Civilização Brasileira)
* O Marinheiro Marinho (Ática)
* O Noivo da Cutia (Ática)
* Presente de Ossanha (Global)
* O Que é racismo? (Brasiliense)
* O Saci e o curupira (Ática)
* O Soldado que não era (Moderna)
* Quando eu voltei, eu tive uma surpresa (Rocco)
* Quatro dias de rebelião (FTD)
* Rainha Quiximbi (Ática)
* Robin Hood, o salteador virtuoso (Scipione)
* Uma estranha aventura em Talalai (Global)
* Zumbi (Mode)
* Como podem os intelectuais trabalhar para os pobres (Global)
* Quem ama literatura não estuda literatura (Rocco)

sábado, 25 de abril de 2009

Convite


Quem estiver em São Paulo a partir do dia 21 de abril poderá visitar a exposição Era Uma Vez: Arte Conta Histórias do Mundo com curadoria da pesquisadora Katia Canton no Centro Cultural Banco do Brasil.Trata-se de um projeto dedicado ao público infantil, mas que agradará a todas as idades. Ele se organiza como uma viagem lúdica pelo universo dos contos de fadas de várias tradições e países do mundo, dando destaque aos três grandes autores de contos de fadas da tradição ocidental: Perrault, irmãos Grimm e Andersen. O Projeto inclui uma exposição com trabalhos de ilustradores contemporâneos, objetos e esculturas que reinterpretam alguns contos desses autores. Estarão na mostra trabalhos de 45 artistas e eu participo com dois originais sobre dois contos de Perrault.A exposição vai até 21 de junho de 10h às 20h.

Postado por Elizabeth Teixeira no site
http://elisabethteixeira.blogspot.com/

Poema de Xandy Britto

http://xandybritto.blogspot.com/

Flor nua no tempo do suor
Boca molhada de vento e toque
Língua suave acariciando meus póros
Porão de desejo e loucura
Pernas tão lisas quanto maçãs
Costas de anjos e alma libidinosa
Letras por todo o corpo, tatuadas,
falando coisas que não consegui ler
Sexo tão gostoso...
Sol da manhã no rosto
Lua iluminando ondas
Borboletas no coração cansado e suado
E lhe digo: foi poesia.
Não foi sexo
Sexo é carne
Poesia é outra coisa
Termino este poema
Sabendo que os versos da cama
Foram muito melhores
Na cama houve erros hortográficos, com “agá”
Acertando os mais lindos cacofatos e pleonasmos
No meio; completamente perdido em metáforas
Metáforas de posições
De inflexões
Gerundiando
De beijões
Dos “ões” e algo mais
Esse verso é tosco perante o que escrevemos na cama
No lençol molhado do motel
E em nossa carne arranhada e rubra
Repito: Sexo é carne...
Poesia... poesia é outra coisa.


Xandy Britto, para Ela, no segundo par de chinelo-brinde-de-motel, 11 horas ou de manhã, estou por fora de tempo e espaço.

Escolha o ano e veja as músicas de sucesso




http://www.planetarei.com.br/100anos/index.htm

" AS 100 MAIS....Olhem o ano de nascimento....é ótimo...."



RELÍQUIA

Esse vale a pena guardar com bastante carinho.

Para relembrar os bons tempos...

sexta-feira, 24 de abril de 2009

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Paulo Ghiraldeli levanta um aspecto importante para o desmonte da educação no Brasil.




O adeus à “ilusão liberal” ou a educação não é mais um valor
19
04
2009
Os professores dos anos 30 e 40 reclamavam das Histórias em Quadrinhos. Segundo eles, elas desviavam o aluno do esforço de leitura e os tirava da concentração necessária para as aulas. Os professores dos anos 70 diziam que não podiam competir com a TV. A televisão estaria apresentando espetáculos bem melhores que os das aulas. Alguns professores dos anos 90 repetiram isso, só que somaram o problema da TV com o apego dos jovens à Internet.

Esses argumentos todos nunca tiveram correspondência com a realidade. Sempre foram desculpas esfarrapadas de ou professores fracassados ou professores azarados. Aos poucos as pesquisas de campo foram desmentindo essa pseudo-sociologia da educação. Hoje em dia, tais desculpas já não se fazem mais presentes como no passado. No entanto, exatamente agora é que realmente os jovens estão saindo da escola não mais por outra coisa senão por desinteresse na escola. Há pesquisa sobre o assunto, e os resultados indicam claramente que a evasão no ensino médio é por desinteresse na escola em primeiro lugar, e só em segundo lugar por questões ligadas às necessidades de sobrevivência familiar, trabalho etc. (veja a notícia aqui).

O problema, portanto, é o de saber qual a razão do desinteresse dos jovens na escola. Um elemento que deve ser levado em conta é que para a nossa sociedade, de um modo geral, a educação já não é mais um valor como foi nos anos 50, 60 e 70. É claro que hoje há uma enorme demanda por ensino superior. Mas é uma demanda por diploma, não por educação. A vida intelectual e a idéia de “ser uma pessoa educada” deixaram de ocupar a tábua de valores de uma boa parte da classe média brasileira. Por mecanismos diversos, uma parte de nossa sociedade encontrou um caminho de sobrevivência e até mesmo de ascensão social que não passa pela educação, ou que ao menos aos olhos dos jovens parece não passar pela escola.

Comentando:
Deixe sua opinião e leia o texto integral em:

http://ghiraldelli.org e http://ghiraldelli.ning.com

sexta-feira, 17 de abril de 2009

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Selo presentes



Recebi o selo do amigo Nhamundá
http://www.nhamundaonline.com
Repasso aos amigos Jayme Bueno e dos seguintes blogs:

http://montardo-ap.blogspot.com

http://harmoniatotal.blogspot.com

http://www.portaldecinema.com.br

http://mensagensdiversificadas.blogspot.com/

http://monografias.spaces.live.com/

http://www.pontoblogue.com/

http://meus365dias.com

Obs: Sigam as regras de sempre...

terça-feira, 14 de abril de 2009

Você lembra?

Lembranças....









Nossa, fita cassete! Lembro de pegar um dinheirinho e comprar fita virgem, era uma embalagem mais bonita do que a outra.





Canetinha Sylvapen, aquela das florzinhas, que quando começavam a falhar, a gente lambia a ponta pra umidecer hehehe
Agora essa caixinha em forma de cigarro é impensável nos dias de hoje







Tive uma dessa na minha 1º série,
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Kichute: os muleques usavam com o cadarço amarrado na canela kkkk l




Nossa, essa vinha com a pochetinha







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E pensar que em pleno 2007 / 08 voltou com força total!



Putz, drive de 5 1/4 era chique no úrtimu pois armazenava a incrível quantidade de 360 kb HAHAHAHAHAHAHAHA!!!!!!!!!!
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HAHAHAHAHAHAHAHA!!!!!!!!!! desculpem, não é nada com a ficha, ainda estou rindo dos 360 kb
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1ª. edição é de 1948 modificada em 1980 (foi a que eu usei)
Texto do B b barriga : Eu vejo a barriga do bebê
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eu tinha esse manual do peninha era show....










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É, Groselha vitaminada Milani yahooooo!!!!
Foi deste comercial que o site yahoo copiou o nome, sabiam kkkk
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Só os amiguinhos ricos tinham
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Ah esse só os amiguinhos pobres tinham, fico com eles
este era muito mais rápido

quinta-feira, 9 de abril de 2009

O gelo está solto!




Nº 164 - Paraná, 09 de abril de 2009


ON THE ROCKS


No último sábado, a plataforma Wilkins, uma estrutura de gelo maciço de quase 16.000 Km², desgarrou-se da Península Antártica e começou a vagar pelo oceano. Plataformas são bancos de gelo flutuantes presos ao continente.

O aumento médio de temperatura da Terra, em todo o século 20, foi de 0,7OC. Nesse mesmo período, a elevação média de temperatura da Antártica foi de 3OC. Quase seis vezes mais!

O oceano se aquece mais rapidamente devido a sua inércia térmica. Ele absorve mais de 80% do calor adicionado ao sistema climático. Se grande quantidade de calor está sendo absorvida pelos oceanos é sinal de que o reservatório de energia do planeta está desequilibrado.

Uma das respostas a este brutal aumento de temperatura na região tem sido a extinção das plataformas. Wilkins foi a sexta delas. Os cientistas estimavam o seu desgarramento para daqui a 30 anos!

Como se vê, a ciência acerta suas previsões sobre o que acontecerá, mas erra flagrantemente sobre quando ocorrerá.

A velocidade das resultantes dos eventos climáticos tem surpreendido a todos. Pudera! não há sobre a face da Terra nenhum modelo matemático que possa fornecer dados confiáveis sobre o comportamento do planeta diante deste verdadeiro coquetel de mudanças.

Além disso, devemos colocar as barbas de molho porque a mesma ciência que erra no quando, também se equivoca no quanto. Veja só:

Estima-se que, neste século, a depender das emissões de gases estufa, o nível dos oceanos subirá entre 30cm a 40cm. Cerca de 60% deste aumento será causado pela expansão térmica das águas (água quente sobe). Todavia, os modelos não levam em conta a possível aceleração do aumento das perdas de gelo nos pólos, o que pode elevar em mais 10cm a 20cm o nível dos mares. E o que é errar em 30 anos o descolamento da Wilkins senão uma aceleração do aumento das perdas de gelo nos pólos?

Nenê Rabo-de-Galo, pau-d´água de primeira linha, com o fígado magoado a poder de muita cachaça e a mente turvada no cocktail de tantas informações sobre mudanças climáticas, com voz e cara de sono, pergunta:

- A Antártica é o gelo da parte de cima ou da parte de baixo do globo?

- Parte de baixo.

- Então, pode encher que vai ficar tudo on the rocks!

Bebedeira passa. Mas, segundo se estima, as consequências das mudanças climáticas farão com que o ambiente onde vivem plantas e animais (também somos animais) siga alterado por, pelo menos, mil anos após as emissões terem sido estabilizadas.

- Pópará! – ordena Nenê, antes de dar mais um tapa na branquinha e fechar para sempre a garrafa.

Um forte abraço e até sexta que vem.



Luiz Eduardo Cheida é médico, deputado estadual e presidente da Comissão de Ecologia e Meio Ambiente da Assembléia Legislativa do Paraná. Premiado pela ONU por seus projetos ambientais, foi prefeito de Londrina, secretário de Estado do Meio Ambiente, membro titular do CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) e do Conselho Nacional de Recursos Hídricos.


Este recado pode ser reproduzido, mantido o texto original e o currículo do autor.

Edições anteriores do Recado do Cheida estão disponíveis no site http://www.cheida.com.br

terça-feira, 7 de abril de 2009

A vida


A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.

Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê, já se passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado.

Se me fosse dada, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas.
Desta forma, eu digo: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo,
a única falta que terá, será desse tempo que infelizmente não voltará mais.

MÁRIO QUINTANA

domingo, 5 de abril de 2009

Desculpem, amigos portugueses, mas não resisti








-AS INFAMES PORTUGUESAS.




*MODAS PORTUGUESAS, ora pois.... *


1. Como identificar um estudante português burro?*
- Ele copia tudo o que a professora escreve no quadro e quando ela apaga o quadro, ele apaga tudo no caderno também...

2. Como identificar um estudante português inteligente?
Ele não copia nada no caderno porque já sabe que a professora vai apagar mesmo...

3. Como português faz leite em pó?
Congela o leite e depois rala...

4. Como você descobre que a padaria do português foi informatizada? *
*Ele usa um mouse atrás da orelha...

5. O que fazem 17 portugueses na frente do cinema? *
*Esperam mais um português, pois o filme proibido para menos de 18.

7. O que tem escrito na sola do sapato do Português? *
*'Este lado para baixo'...*
* *
*8. Por que o carro elétrico não deu certo em Portugal? *
*Porque nos primeiros cem metros a tomada soltava....

9. Por que o Joaquim não molha a cabeça antes de passar o xampu? *
*Porque ele usa xampu para cabelo seco...

10. Por que o Manuel guarda uma garrafa vazia na geladeira?
Porque sempre aparece alguém que não bebe nada na casa dele...

11. Por que o Manuel só usa roupa molhada? *
*Porque na etiqueta vem escrito: 'lave antes de usar...'..

12. Por que o português assiste comédia na última **cadeira do cinema?*
*Porque quem ri por último, ri melhor...

13. Por que o português coloca pastel dentro do leite?
Porque ouviu dizer que melhor o leite 'pastelrizado'...

14. Por que o português leva garfo e faca quando dirige em São Paulo? *
*Porque tem dia em que ele entra no rodízio...

15. Por que o português levou uma escada para o **restaurante?
**Para comer peixe na telha.

16. Por que o português não pega ônibus? *
*Porque está escrito: 'Mantenha distância'...

17. Por que o português não toma banho na primavera e no outono? *
*Porque no chuveiro dele só tem a chave Inverno/Verão

18. Por que os portugueses não fecham a porta quando vão ao banheiro?*
*Para não olharem pelo buraco da fechadura...

**

19. Porque os portugueses não usam queijo ralado no **macarrão parafuso? *
*Farinha de rosca combina mais...

20. Um clube pegou fogo em Portugal. Morreram todos carbonizados. Sabe
por quê?*
*Não deixaram os bombeiros entrar porque eles não eram sócios...*

sexta-feira, 3 de abril de 2009







O Castelo de Lichtenstein, também conhecido como "Castelo do Conto de Fadas",foi construído originalmente no século XII e reconstruído no XIX. Os castelos são um dos ícones da Idade Média no imaginário das pessoas.











Feudalismo na Europa
Origem: Wikipédia, a enciclopédia






A partir do século III, o Império Romano enfrentou diversas crises internas e invasões de povos germânicos. Em 395, para tentar solucionar os problemas, o imperador Teodósio dividiu o Império em duas partes: uma no Ocidente, com capital em Roma, e outra no Oriente, sediada em Constantinopla.

Separados, os dois impérios conheceriam destinos diferentes. O poderoso Império Romano do Ocidente não resistiria às pressões em suas fronteiras e ruiria, dando lugar a diversos reinos que, baseados em tradições germânicas e romanas, inaugurariam um novo tipo de sociedade: a sociedade feudal.

O Império Romano do Oriente, alterando momentos de apogeu e graves crises, ainda sobreviveria por quase mil anos.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Conheça Roseana Murray





QUEM É ROSEANA MURRAY

Digo como Neruda, poeta que amo: para nascer nasci. Para fazer poesia, amar, cozinhar para os amigos, para ter as portas da casa e do coração sempre abertas. Nasci num dia quente de dezembro, em 1950, dois meses antes do previsto, numa clínica em Botafogo. Sou filha de imigrantes poloneses que vieram para o Brasil fugindo do antissemitismo. Gosto de mato e silêncio, não sou nada urbana. Durante muitos anos vivi em Visconde de Mauá, mas troquei Mauá por Saquarema em 2002, já que uma cirurgia na coluna tornou a montanha quase intransponível. Mas o meu filho André Murray continua lá tocando as suas árvores e panelas no Restaurante Babel : ele é Chef de Cozinha. Meu outro filho é músico, o Guga . Ele vive em Granada , na Espanha e tem um trio no Brasil, o Um Trio Vira-Lata. Eles são filhos do meu primeiro casamento. Desde 1997 estou casada com o Juan Arias, jornalista e escritor . Tenho muitos livros publicados e leitores de todas as idades, aliás não acredito em idade, mas sim em experiências vividas. Fico muito feliz quando penso que um poema que escrevi aqui na minha mesa, sozinha, chega a lugares tão distantes e emociona tanta gente.


Roseana Murray







Fardo de carinho, meu primeiro livro, faz 28 anos em nova edição com ilustrações de Elvira Vigna ed. Lê,B.H.

CAIXINHA MÁGICA

Fabrico uma caixa mágica
para guardar o que não cabe
em nenhum lugar:
a minha sombra
em dias de muito sol,
o amarelo que sobra
do girassol,
um suspiro de beija-flor,
invisíveis lágrimas de amor.

Fabrico a caixa com vento,
palavras e desequilíbrio,
e para fechá-la
com tudo o que leva dentro,
basta uma gota de tempo.

O que é que você quer
esconder na minha caixa?




TRANSFORMAÇÃO

Fabrico uma árvore
com uma simples semente,
terra escura e quieta,
umas gotas de água.

Pouco a pouco,
de lua em lua,
de folha em folha,
enquanto o tempo
desenha arabescos
em meu rosto,
minha árvore se transforma
em poema vivo,
suas letras são flores,
são frutos, são música

Fábrica de poesia, Ed. Scipione, 2008


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MEL

Na curva da primavera,
no alto da montanha,
abelhas fabricam mel.
zumbem, dançam, rodopiam,
cantam para as flores
o azul do dia.

COMIDA DE SEREIA

O que será que a sereia come
em seu castelo de areia?
Enquanto penteia os cabelos
a panela esquenta na cozinha:
será que a sereia come anêmonas,
ostras, cavalos-marinhos?
Ou delicados peixinhos de olhos
dourados?
Algas marinhas, lulas, sardinhas?
Polvos, mariscos, enguias,
ou será que a sereia come poesia?





ELFOS

Elfos comem o perfume
das flores trazido pelo
vento,
comem os mais belos
pensamentos,
e as cores do dia
que o galo faz.
Comem o canto do galo,
as melodias dos pássaros
azuis,
comem a luz que cintila
na folha cheia de orvalho.
Elfos comem a sombra da lua,
o brilho da estrela
que já não existe mais.

Poemas e Comidinhas, Ed. Paulus, 2008
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JOGO DA VERDADE
A verdade é um labirinto.

Se digo a verdade inteira,
se digo tudo o que penso,
se digo com todas as letras,
com todos os pingos nos is,
seria um deus-nos-acuda,
entraria um sudoeste
pela janela da sala.
Então eu digo
a verdade possível,
e o resto guardo
a sete chaves
no meu cofre de silêncios.

PIÃO

Um pião se equilibra
na palma da mão,
no chão, na calçada,
e alado vai rodando
por cima dos telhados,
gira entre as nuvens,
cada vez mais alto,
até que num salto
alcança a lua
e rola
até o seu lado oculto.
Faz a curva o pião
e ruma para Saturno,
tropeça nos anéis,
dá três cambalhotas,
se pendura
numa estrela cadente
e, sem graça,
volta para a palma da mão.
FADAS E BRUXAS

Metade de mim é fada,
a outra metade é bruxa.
Uma escreve com sol,
a outra escreve com a lua.
Uma anda pelas ruas
cantarolando baixinho,
a outra caminha de noite
dando de comer à sua sombra.
Uma é séria, a outra sorrí;
uma voa, a outra é pesada.
Uma sonha dormindo,
a outra sonha acordada.

in Pêra, Uva ou Maçã, ed. Scipione, 2005

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QUINZE

Ecoa nos ares o minarete,
e dele escapa
um grito pungente,
feito pássaro que houvesse
fugido
de uma gaiola dourada.
É a hora sagrada:
todo homem tem um encontro
marcado com Deus
e mistura as orações com saliva,
como a mãe que oferece
ao filho
pedaços da sua própria comida.

CINCO

Percorrer o silêncio do deserto,
sua espinha dorsal
feita de murmúrios, vertigens,
caravanas, o ruminar dos camelos.

Numa noite escura
uma fonte escondida
fabrica sonhos e água.

VINTE E DOIS

Rente ao muro
o homem caminha.
Seu corpo encharcado
de orações
carrega um bastão sagrado.
Com seus passos costura
o oriente ao ocidente.

in Desertos, ed. Objetiva, 2006
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ATLÂNDIDA

O caminho para a Atlântida
é de terra ou de luar?
é de linho, lã ou vento
o chão que devo pisar?

Parto agora para a Atlântida,
por estradas que invento,
passo perto de Pasárgada,
cruzo fronteiras no céu
e descubro que a Atlântida
fica na esquina de mim.

JANELAS

Em todas as janelas me debruço,
em todos os abismos
estendo uma corda
e caminho sobre o nada.
Também ando sobre as águas,
subo em nuvens,
galgo intermináveis escadas.
Abro todas as portas
e cavernas com um sopro
ou três palavras mágicas.
Mergulho em torvelinhos,
danço no meio do vento,
pulo dentro da tempestade.
Em cada encruzilhada me sento
e tento arrumar o destino,
estranho castelo de areia.
AVESSO

Atravessaria um rio grosso
no meio da noite
para decifrar tuas pegadas,
o rastro luminoso dos teus olhos.

Atravessaria a superfície
silenciosa dos espelhos
para ver o teu avesso.

Caminharia sobre água
e fogo
para soletrar teu corpo.

in Recados do Corpo e da Alma, ed. FTD, 2003

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MULHERES ACROBATAS

Onde se esconde a nascente
dos sonhos?
Em que alta montanha
ou profundeza de abismo?
Em que curva de rio
ou espuma de onda?
Em que gaze esgarçada
ou doçura de vento?

Nas estradas batidas
por unicórnios e silêncios
os saltimbancos vão passando
rumo ao coração de cada um
com seus trapézios e luz
e mulheres acrobatas.

NOVELO

Com fina linha prateada
o sonhador borda a sua vida:
na fronteira entre o dia e a noite,
entre uma estrela e outra,
uma palavra e sua sombra,
ergue um castelo de vento,
desfralda as bandeiras da paz.

PAUL KLEE

Os olhos como barcos,
entro escondida
num quadro do Klee.
O céu é a rua,
e o equilibrista,
quase sem respirar,
me ensina os segredos da vida.
Sobretudo, ele me diz,
é preciso saber conservar
as pernas no ar
e manter o olhar perdido;
Carregar pedaços de lua
no pensamento e sonhar.

A vida é pura navegação
e saio do quadro
como um pássaro invisível.

in Residência no Ar, ed. Paulus, 2007

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VENTO

assim me chama o vento
me despenteia os cabelos
nas teias do precipício
a vida começa hoje
começa sempre
desde o nada até a medula
todos os dias
colar os ossos
e ouvir o ruído
subterrâneo de um rio
a vida começa hoje
sempre por um fio
a alma é um pêndulo
leva as horas
de encontro
às pedras.

PARTIDA

Hoje arrumo as flores
em cima da mesa
as frutas na memória
quero um dia bem simples
alguma luz pousada
na superfície da água

hoje chamo para mim
amorosas palavras
que vivam um dia
perto do meu coração
que corram pela casa
com sua mistura de mel e espanto

alguém parte com um ruído seco
alguém sempre está partindo

SINOS

quando estava só
nos meus vastos campos
de machucadas orquídeas
e silêncio
e à noite bebia em taças opacas
estrelas líquidas e passado
e o vento do deserto
me alcançava trazendo
o rumor dos mortos
você chegou
com vassoura de luz
varreu a casa e limpou os sinos

in Poesia Essencial, ed. Manati, 2002


Textos extraídos do site da autora http://www.roseanamurray.com
Vinhetas: Roger Mello, Jardins, Ed. MANATI

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Camiseta de um homem separado


Clique na foto para aumentar.
(circulando na internet)