domingo, 30 de maio de 2010

DIA TRISTE


dia triste


hoje o dia está triste aqui
tão triste, que estou com você
sabe... parece dia para escrever poesia bonita
friozinho
luz do quarto apagada
reflexo da tela do computador
iluminando meus pensamentos
e apresentando a fumaça deste cigarro
vou tragar os sentimentos mais belos, menina
durante esse nosso pedaço da noite
quem sabe, entre um trago e outro
espaço dessas letras cheias de vontade
te trago até aqui
por aqui... e, assim
terminaremos de escrever
com as letras que quiser

Xandy Britto, sem querer, para quem não deve saber.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

segunda-feira, 24 de maio de 2010

segunda-feira, 17 de maio de 2010

MAIAKOVSKI

BLUSA FÁTUA - Maiakóvski

Costurarei calças pretas
com o veludo da minha garganta
e uma blusa amarela com três metros de poente.
pela Niévski do mundo, como criança grande,
andarei, donjuan, com ar de dândi.

Que a terra gema em sua mole indolência:
"Não viole o verde das minhas primaveras!"
Mostrando os dentes, rirei ao sol com insolência:
"No asfalto liso hei de rolar as rimas veras!"

Não sei se é porque o céu é azul celeste
e a terra, amante, me estende as mãos ardentes
que eu faço versos alegres como marionetes
e afiados e precisos como palitar dentes!

Fêmeas, gamadas em minha carne, e esta
garota que me olha com amor de fêmea,
cubram-me de sorrisos, que eu, poeta,
com flores os bordarei na blusa cor de gema!


(Tradução: Augusto de Campos)

terça-feira, 11 de maio de 2010

NERUDA

O Vento na Ilha (Pablo Neruda)

Vento é um cavalo:
ouve como ele corre
pelo mar, pelo céu.
Quer me levar: escuta
como ele corre o mundo
para levar-me longe.
Esconde-me em teus braços
por esta noite erma,
enquanto a chuva rompe
contra o mar e a terra
sua boca inumerável.
Escuta como o vento
me chama galopando
para levar-me longe.
Como tua fronte na minha,
tua boca em minha boca,
atados nossos corpos
ao amor que nos queima,
deixa que o vento passe
sem que possa levar-me.
Deixa que o vento corra
coroado de espuma,
que me chame e me busque
galopando na sombra,
enquanto eu, protegido
sob teus grandes olhos,
por esta noite só
descansarei, meu amor.