terça-feira, 3 de março de 2009

Poema de Mario Quintana


O Mapa

Olho o mapa da cidade
Como quem examinasse
A anatomia de um corpo...

(E nem que fosse o meu corpo!)

Sinto uma dor infinita
Das ruas de Porto Alegre
Onde jamais passarei...

Há tanta esquina esquisita,
Tanta ameaça de paredes,
Há tanta moça bonita,
Nas ruas que não andei
( E há uma rua encantada
Que nem em sonhos sonhei...)

Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisivel, delicioso

Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave misterio amoroso.
Cidade de meu andar
( Deste já tão longo andar!)

E talvez de meu repouso...